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ilha verde – jardins do Museu Joaquim Felizardo

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          fotos:Bibiana Ferreira Pereira
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SOBRE  OS  ARTISTAS:


Antônio Augusto Bueno

Gravetos Armados, 2011

A primeira vez que entrei em contato com o trabalho do artista Antônio Augusto Bueno, confesso, me senti profundamente perturbada. Esta experiência já tem algum tempo e ainda hoje suas pinturas e seus desenhos me afetam de maneira significativa. Na tentativa de definir ou pelo menos esclarecer esta perturbação, poderia dizer que Antônio mexe com uma parcela do humano que não compete à calmaria, a docilidade, a “paz interior”. Existe no seu gesto, algo brutal, uma violência, um certo estado de pânico.

Uma questão que contribui para este fenômeno de percepção perturbadora

encontra-se na reduzida palheta de cores de Antônio, onde somente os tons terrosos, ferruginosos e neutros estão presentes. Das linhas bruscas e violentas do desenho e suas tonalidades terrosas, nasceu, como transposição da bidimensionalidade para a escultura, seu atual trabalho: os gravetos armados. Um desdobramento desta proposta é o trabalho que será apresentado no Museu Joaquim Felizardo, na primeira exposição do grupo Tramas Urbanas- laboratório de escultura e poéticas do espaço.

Interessante pensar a real semelhança entre a linha de Antônio e a aparência rude e ressecada de um graveto morto. Na conversa com o artista, a revelação do processo dos gravetos demonstrou justamente a potência de tal semelhança. Apesar da autonomia das peças tridimensionais, Antônio “desenha” suas esculturas e instalações, sendo o graveto a opção transitória mais próxima de sua própria linha, uma materialização escultórica tanto do gesto quanto da cor presente em seus trabalhos anteriores.

Nesta linha processual, Antônio materializa e retira da superfície do papel e da tela a trama escultórica que instala nos diferentes espaços onde realizou intervenções. Em cada lugar, uma forma, um diálogo, uma maneira de ocupação específica.

Bibiana Ferreira Pereira

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Ingrid Noal

Corpo Expandido, 2011

 Entrar em contato com o trabalho de Ingrid Noal é percorrer um trajeto -lite

ralmente- no sentido do mundo, da paisagem, do passeio público, para o humano, o particular, o errante. Pensar a relação entre um percurso qualquer e quem trilha este percurso, o corpo e sua mecânica, faz com que olhemos para baixo, trazendo para a consciência os personagens responsáveis pelo nosso caminhar. Aí encontramos o foco da artista: os escultóricos pés de Ingrid Noal.

O primeiro ponto de interesse do trabalho já se apresenta na contradição de que, justamente “os pés de Ingrid Noal”, não são necessariamente os seus próprios pés. Reproduções de pés de outros, as bases mecânicas e orgânicas que possibilitam o caminhar, repletos de identidade, de marcas, de linhas e cicatrizes, estes são os  recortes de Ingrid, seus corpos amputados e apropriados.

Submetidos a um trajeto, a uma situação na paisagem, os pés tornam-se personagens em uma ação estática. O deslocamento da identidade de um indivíduo a partir de sua base física para um lugar escolhido pela artista: os pés pousam, dialogam, imprimem sua matéria. Meus pés na praia, seus pés no parque, os pés deste ou daquele em uma esquina qualquer de uma cidade qualquer.

O deslocamento físico transforma o mundo por onde pisa, imprime marcas no chão, na superfície sobre a qual exerce o contato. Por outro lado, aquele que pisa recebe igualmente as impressões do mundo, é afetado pela experiência tanto do caminhar, quanto do estar em algum lugar. Mas Ingrid transforma esta expansão do corpo alheio e do seu próprio corpo em uma via de ausência, de silêncio. Os pés que agem autônomos, independem de seus indivíduos.

A experiência do discurso narrativo no trabalho que Ingrid Noal apresenta na primeira exposição do grupo Tramas Urbanas- laboratório de escultura e poéticas do espaço no Museu Joaquim Felizardo é um convite à imaginação. O silêncio de pés pousados em algum lugar, ausentes de seus corpos por alguma razão. Contemplar o que não está, a forma fria que pisa autônoma com sua história particular, seus dedos, linhas e calos.

Bibiana Ferreira Pereira

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Pedro Girardello


(Pontes, 2011)


A melhor forma de conhecer um processo criativo é adentrar o atelier de um artista. Seus projetos e ideias preenchem este espaço, compondo seu universo particular. Pedro Girardello apresenta na primeira exposição do grupo Tramas Urbanas –laboratório de escultura e poéticas do espaço um trabalho pautado por duas preocupações dinâmicas: a questão do movimento e o que eu chamaria de uma certa “vontade de flutuação”.


As esculturas em fibra de vidro que serão expostas no jardim do Museu Joaquim Felizardo, dentro deste recortemovimento-flutuação tratam-se de figuras estáticas. Corpos femininos em tamanho real reluzem acima do olhar, contorcidas e tensas num movimento que parece interrompido, congelado, mas ainda assim, possível. Os grandes prolongamentos tubulares que substituem mãos e pés projetam as figuras para cima como se pudesse sentir a propulsão muscular necessária para tanto. Os corpos parados no espaço, parecem possuir vontade de flutuar, leves porém tensionados.


Em conversa com o artista, perguntei sobre a origem deste trabalho: as peças nasceram da divisão entre um estudo de anatomia para a produção de bonecos cênicos e a própria experiência corporal do artista como ginasta olímpico durante certo período da vida. As escolhas das contorções revelam a experiência como ginasta e o casamento entre a forma e o vigor do movimento inacabado.


Quando instaladas no espaço, o diálogo entre as formas metálicas e o lugar tornam-se específicas, sendo, portanto, impossível prever os resultados sem se estar presente sob suas curvas e vãos ascendentes. As varias possibilidades de montagem comunicam diretamente com o espectador e convidam o olhar e o corpo para dentro do trabalho.


Bibiana Ferreira Pereira


Rafael Mazzoca.


Golfe, 2011


Apresentando um jogo de golfe como proposta de ação artística para a primeira exposição do grupo Tramas Urbanas –laboratório de escultura e poéticas do espaço, no jardim do Museu Joaquim Felizardo, Rafael Mazzoca convida o público para a noção de arte-experiência, para a vivência de um tempo no qual o transitório e passageiro se sobrepõe ao permanente, ao duradouro. Um instante onde o objeto artístico e sua materialidade se rendem ao jogo do artista, às suas regras.


Pelo menos duas questões são essenciais para pensar o trabalho de Rafael Mazzoca: a matéria e a ação do jogo.  A constante tensão presente entre a fragilidade do objeto cerâmico e a ação sobre o mesmo objeto configuram o jogo, quando o trabalho realmente se realiza. Neste aspecto, a experiência da arte se coloca além do objeto estético ou da contemplação pura, deslocando seu sentido para a vivência do indivíduo e ou do grupo que exerce ação no jogo. O trabalho do artista convida e instiga o fim da passividade do público, propondo a arte como envolvimento e a matéria como impermanência.


Lidando o tempo todo com a transposição que desloca objetos do campo do esporte, para o campo da arte, a possibilidade da plena realização das funções dos mesmos, não se completa, por se tratarem de uma construção frágil. Seu jogo de golfe com bola de cerâmica é mais um desdobramento no trabalho do artista, que já realizou ações com bumerangue e bola de basquete em outros espaços públicos da cidade.


Bibiana Ferreira Pereira


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  fotos:Bibiana Ferreira Pereira
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  fotos:Bibiana Ferreira Pereira
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  fotos:Bibiana Ferreira Pereira
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                                     foto: Bibiana Ferreira Pereira

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Preparativos para a Exposição

no jardim do Museu de Porto Alegre José Felizardo

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O Museu Joaquim José Felizardo, Museu Histórico da cidade de Porto Alegre, tem como sede o Solar Lopo Gonçalves, construído entre 1845 e 1855, na antiga rua da Margem (atual João Alfredo), com arquitetura de influência luso-brasileira, para ser “residência da chácara”, lugar de descanso da família do comerciante português Lopo Gonçalves, nos fins de semana e feriados.

O Museu Joaquim José Felizardo possui sob sua guarda três importantes acervos sobre a História de Porto Alegre: o acervo histórico, o acervo fotográfico e o acervo arqueológico.

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 Imagens do acervo fotográfico do museu:

Foto: Mara Kux Solar Lopo  Gonçalves- fachada principas – 1970

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Foto: autor desconhecido – bairros Centro, bom Fim, Floresta, Cidade Baixa (vista aérea)

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Foto: Siona Breitman – Mercado Público – 1950

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Foto: autor desconhecido – Mercado Público – déc 70

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Foto: Virgílio Calegari – Regata em Porto Alegre: Guarnição no cais da praça da Alfandega – 1890

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 Foto: Virgílio Calegari – Panorama de Porto Alegre – último quarto do séc XIX

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Museu Joaquim Felizardo

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